Dependência: precisamos falar mais sobre o assunto!

10 Fevereiro 2018 00:04:00

Tatiane Marafon*

 

"Três são presos com plantação de maconha dentro de casa no Ariribá" ... "Mulher engole 20 pedras de crack para não ser presa, mas não deu certo"... " Mulher morre ao consumir drogas com namorado e prima" 

Balneário Camboriú foi o cenário destas três notícias em janeiro. Isso mesmo, três notícias em um único mês... A estatística, que infelizmente é ainda maior que a acima mencionada, trá a reflexão da necessidade de abordar este tema, que apesar de tratado como um tema batido há ainda muito que discutir.

Primeiro é preciso reconhecer a drogadição, ou melhor, a dependência de substâncias (sejam elas lícitas ou ilícitas) como uma doença. Não é falta de informação, não é falta de fé e muito menos "falta do que fazer" - como ouço algumas pessoas falando.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), aponta que a característica essencial da Dependência de Substancia consiste na presença de um agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos indicando que o individuo continua utilizando uma substancia apesar de problemas significativos relacionados a ela.

Vamos entender estes conceitos: cognição é uma expressão relacionada com o processo de aquisição de conhecimento (cognição). A cognição envolve fatores diversos como pensamento, linguagem, percepção, reconhecimento de objetos, memória, raciocínio, linguagem etc., que fazem parte do desenvolvimento intelectual.

Comportamento é procedimento de alguém quando reage a estímulos sociais ou a sentimentos e necessidades íntimos ou uma combinação de ambos. Por exemplo, deixar de buscar convívio com outras pessoas e se isolar. Já a fisiologia abrange sintomas mais visíveis, pois estão relacionados a funcionalidade do sistema nervoso central, como tremores desconfortáveis depois da interrupção do uso da droga ou com a diminuição da quantidade usada.

Segundo, a ideia de que "é só um baseado/um gole vez ou outra, não vai fazer mal" é errônea sim! Pessoas diagnosticadas com dependência em substâncias tendem, cedo ou tarde, a desenvolver outros transtornos como: delírio, amnésia, esquizofrenia, transtornos de humor, ansiedade, disfunção sexual e transtorno do sono.

A dependência geralmente representa um impacto profundo em diversos aspectos da vida do indivíduo e também daqueles que estão ao seu redor. A família que convive com um dependente encontra-se em um constante processo de passar pela dor e obter novamente a harmonia familiar. Então o terceiro ponto, trata de compreender que o comportamento de todos deve mudar. A recuperação, as recaídas, o relacionamento com a família, a criação de novos padrões de funcionamento, o desenvolvimento da auto estima e a superação das perdas precisam ser trabalhadas entre todos.

E por fim, é de vital importância que estratégias de prevenção sobre a questão sejam desenvolvidas. Não existe um modelo ideal e único de programa, e sim diferentes possibilidades de abordar estas questões. O que se percebe é que terão mais sucesso as ações que contemplam abordagens multidisciplinares, podendo envolver diversos profissionais da saúde, como médicos clínicos e psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, assistentes sociais e enfermeiros. Quando diagnosticada, a dependência deve contar com acompanhamento a médio-longo prazo para assegurar o sucesso do tratamento, que varia de acordo com a progressão e gravidade da doença.

*A autora é psicóloga, especialista em Recursos Humanos e coordenadora técnica da associação PAIS.


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