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Uma onda feminina no metal (1)

Por Michel Goulart da Silva

Na mais recente edição do Rock in Rio uma das bandas que mais chamou a atenção foi o trio de heavy metal Nervosa. Esse fato se deve a pelo menos dois fatores.

Por um lado, pela postura politizada da banda, dentro e fora do palco, dedicando, no caso específico da apresentação, uma das músicas à vereadora Marielle Franco, assassinada em um crime ainda não resolvido. Fernanda Lira, vocalista da banda, foi uma das mais atuantes participantes de uma articulação de metaleiros contra o crescimento de alternativas políticas reacionárias nas eleições de 2018.

Outro elemento de grande importância é o fato de a banda Nervosa ter sido a primeira banda de heavy metal formada totalmente por mulheres a participar do festival. Embora tenha se apresentado em um dos palcos secundários, abriu a noite para o Slayer, uma das bandas em atividade de maior notoriedade do heavy metal.

O heavy metal é famoso pelo pouco espaço dado às mulheres, normalmente limitadas a atuar como vocalistas em bandas majoritariamente formadas por homens, tendo revelado cantoras talentosas como Tarja Turunen, Cristina Scabbia e Alissa White-Gluz. Contudo, com algumas poucas exceções, normalmente ligadas ao cenário underground, o heavy metal esteve marcado majoritariamente por músicos e compositores homens.

Nas primeiras décadas do heavy metal há indícios de existência de um pequeno número de bandas totalmente formadas por mulheres, que remetem a nomes atualmente pouco conhecidos do grande público, como Rock Goddess e Girlschool, do Reino Unido, Show-Ya, do Japão, e Phantom Blue, dos Estados Unidos. Nesse período o nome feminino que sobressai é o da cantora Doro Pesch, vocalista e única mulher na banda alemã Warlock.

Nos anos recentes há uma mudança nessa lógica. Mesmo sendo minoritárias, há um crescimento de bandas constituídas apenas por mulheres no heavy metal. Não se trata apenas de números, mas do espaço em festivais e contratos com importantes gravadoras, desde o final da década de 1990. O nome mais famoso é da banda Kittie, do Canadá, embora também se possa mencionar Crucified Barbara, da Suécia, Betty Blowtorch, dos Estados Unidos, Mystica Girls, do México, e Destrose, do Japão.

Se o heavy metal foi marcado por duas grandes ondas, uma inglesa na década de 1980 e outra estadunidense nos anos 1990, não seria exagerado pensar o período recente como uma onda das mulheres, especialmente a partir de 2005. Essa onda feminina vem mostrando uma criativa e profunda renovação do heavy metal no período recente.



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