Linha Segurança

Álcool em gel e a sua influência na fiscalização de embriaguez

Por Tiago Teixeira Ghilardi

Esta semana um vídeo do piloto de testes do programa Autoesporte da TV Globo, Cesar Urnhani, rodou os grupos e redes sociais. Neste vídeo, ele utiliza um etiloteste (balão para assoprar e medir a presença de álcool) para realizar o teste do etilômetro (bafômetro) dentro de um veículo fechado, após usar álcool em gel para higienizar as mãos e o volante. Como conclusão, ele mostra que o etiloteste detectou a presença do álcool, gerando uma dúvida: pode o álcool em gel fazer com que o cidadão seja multado por estar embriagado?

Um aspecto a ser analisado é o local de realização do teste no vídeo: dentro de um veículo fechado. Ao utilizar o álcool em gel neste ambiente, ele evapora e influência no teste realizado, pois fica confinado no ambiente. Assim o resultado positivo é possível, porém não é dessa forma que a fiscalização de embriaguez é realizada pelos policiais militares.

Alguns cuidados são tomados ao realizar a fiscalização de alcoolemia. Um deles é que o teste com o bafômetro nunca é realizado dentro do veículo. Aí surge a pergunta: e o bafômetro passivo? Este não serve para determinar a embriaguez e sim selecionar os condutores que apresentam indícios de estarem embriagados. Ele leva em conta o ar presente no ambiente e não somente o que vem do pulmão do condutor. Assim, o teste que realmente tem valor para fiscalização é realizado fora do veículo, com o bafômetro ativo.

Outro aspecto que deve ser objeto de análise é sobre o equipamento que realiza o teste. No vídeo o piloto utiliza um equipamento descartável, chamado etiloteste. Ele não indica a quantidade de álcool presente no ar expelido pelo condutor. Apenas que existe álcool no ambiente. Já o equipamento utilizado pela polícia militar é o etilômetro (bafômetro). Ele precisa, necessariamente, estar aferido pelo Inmetro, ou seja, todo ano ele passa por um processo de aferição que atesta sua capacidade de medir o ar expelido. Caso o aparelho não esteja com a aferição em dia, o teste não serve como parâmetro nem para multa, nem para configurar o crime de embriaguez. Até mesmo o bocal descartável utilizado na fiscalização com o bafômetro vem em uma embalagem e não tem nenhum contato com a mão do policial. Ele é encaixado diretamente no equipamento e descartado logo após a realização do teste. Esse ar medido pelo aparelho não é o da boca ou do ambiente, e sim o presente nos alvéolos pulmonares. Existe uma equação química que é utilizada no funcionamento do bafômetro (lei de Henry). Ela permite que se verifique a quantidade de álcool no sangue de maneira indireta, a partir do ar dos pulmões.

Portanto, não há problema nenhum em utilizar o álcool em gel dentro do veículo para impedir a proliferação de vírus e bactérias. A prevenção, principalmente nestes tempos de coronavírus, é o melhor caminho. O que não pode é beber e dirigir e tentar colocar a culpa no álcool em gel, fica a dica!

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