Linha Segurança

Abraço grátis

Por Tiago Teixeira Ghilardi

Essa semana uma notícia me chamou a atenção: "Policial consola motorista de ônibus após acidente que matou mulher em moto: 'Me coloquei no lugar dele. Vítima, que estava na garupa da moto, caiu e foi atropelada pelo ônibus em Bauru (SP). Motorista ficou em choque após acidente e foi consolado pelo PM, que fazia o atendimento da ocorrência." Na imagem, um PM aparece abraçando o motorista de ônibus.  

Dois aspectos relativos a essa notícia me fizeram refletir. O primeiro é um fato como esse ter sido pautado em um site como o G1. Há anos atrás, poucas ações preventivas realizadas pela PM eram divulgadas na imprensa de abrangência nacional. Afirmo isso com a convicção de quem, em 2011 e 2012, tentou por diversas vezes emplacar notícias relativas às boas ações de nossos policiais militares. Fatos curiosos e dignos de páginas dos melhores livros policiais passavam em brancas nuvens nacionalmente. O contrário não é verdadeiro, já que notícias que denegriam a imagem da PM sempre tiveram espaço cativo no mainstream nacional, mesmo sendo do interior de qualquer pequeno estado do país. Regionalmente, desde que estou na PM, sempre tivemos divulgação equilibrada, o bom e o ruim, isso não há como negar.

Um segundo aspecto é a força que as redes sociais tiveram na mudança das notícias. O abraço do policial em Bauru, anos atrás, não teria relevância na paleta de notícias de uma grande rede. A possibilidade medir a aceitação de certo tema através dos compartilhamentos e curtidas, fizeram com que pudéssemos entender que nem só sangue e desgraça dão audiência. Atitudes positivas e humanizadas também são importantes para as pessoas. A empatia e as boas ações, mesmo que praticadas por pessoas representando o estado, podem e devem ser divulgadas e compartilhadas.

Essa nova realidade permitiu a humanização do policial militar. A pessoa por trás da farda também interessa enquanto ser complexo e humano que é. Não representa o estado frio e calculista das páginas dos cânones da teoria do estado moderno. Nem são a representação fardada dos anos de regime militar. São parte integrante da comunidade, representantes legítimos dos anseios de segurança em todos seus sentidos, inclusive na prevenção e proteção do cidadão.

Já vi vários policiais militares, em situações de ocorrência, exercitando a empatia: qualidade de se colocar na posição da outra pessoa e entender seus sentimentos. Mas não só isso, vi também exemplos de caridade e solidariedade. Doação de alimentos, roupas, material escolar e de construção, tudo isso durante, ou logo após, atender ocorrências de estupro, abandono de incapaz, maria da penha além de outras, tirado do próprio bolso dos policiais militares.

As novas dinâmicas de notícia permitem que um abraço grátis tenha repercussão capaz de fazer refletir a todos, inclusive a nós, policiais militares, sobre a importância de sermos cada vez mais humanos no atendimento ao cidadão.



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