Linha Segurança

Adolescentes ao volante

Por Tiago Teixeira Ghilardi

Neste primeiro artigo de 2020, desejo a todos um excelente ano repleto de realizações e muita saúde. Durante este período de festas de final de ano trabalhei em diversos pontos do estado. Realizei abordagens e flagrei alguns adolescentes dirigindo veículos de passeio e até caminhões. 

Esse fato me fez refletir sobre a evolução dessa conduta com o passar dos anos. Meu pai começou a dirigir caminhão com 17 anos na década de 60. Trafegava por rodovias, pois tinha que trabalhar. Quando eu era adolescente, meu maior sonho era ter um carro e poder dirigi-lo. Camboriú, em 1997, não tinha a população que tem hoje, eram apenas 25 mil habitantes. Estava com 15 anos e a maioria dos meus amigos da época ou tinham um carro, ou eram autorizados a dirigir o de seus pais. Adivinha quem era o único que o pai não permitia? Tentei convencê-lo, sem sucesso. Não conseguia entender o motivo de meu pai não permitir que eu dirigisse. Achava uma tremenda injustiça e julgava-me capaz, assim como os outros.   

Lógico que hoje vejo que a decisão de meu pai foi acertada. O trânsito e o motivo que me levava a querer dirigir eram diferentes do tempo dele. Nós, adolescentes da minha época, éramos impulsivos e inconsequentes em nossos julgamentos e decisões. Os pais devem ter essa responsabilidade de controlar as atitudes de seus filhos, principalmente no que diz respeito à condução e veículo automotor, ainda mais nos dias atuais. O crescimento populacional, o aumento no número de veículos, os engarrafamentos, a incapacidade das vias em absorverem o fluxo e a violência no comportamento dos condutores, são alguns dos fatores que pioraram o trânsito ao longo dos anos. 

O enrijecimento das leis, tanto as criminais que imputam penas maiores aos responsáveis por entregar o veículo a um menor, quanto as administrativas que estipulam valores altos para condutas irregulares no trânsito, também são fatores desestimulantes para que menos adolescentes sejam vistos dirigindo veículos. 

Lembro que não são só os automóveis. Hoje, o mais comum é flagrar adolescentes pilotando motocicletas, o que coloca ainda mais a vida deles em risco, já que a incidência de ferimentos graves e mortes nos acidentes envolvendo este tipo de veículo é muito maior do que nos outros. 

Por isso, uma ida rápida à padaria ou uma volta com os amigos, pode se tornar um problema grave, com consequências para o bolso e, pior, para a saúde do adolescente. Para fugir dessas consequências, existe hoje a alternativa dos aplicativos de transporte, que são excelentes para os pais e adolescentes como meio locomoção. Quem ama controla e sabe o momento certo de dizer não. 



linhapopular sim




Logo branca.png

Copyright © 2017. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina