Linha Segurança

Choro por Abílios e Moreiras

por Tiago Teixeira Ghilardi

Toda vez que há uma tentativa de homicídio contra um policial militar, pelo simples fato de ser policial, ocorre um afronto ao estado democrático de direito e aos princípios básicos de organização social.
Enquanto comandei a companhia de Camboriú, no ano de 2017, o policial militar da reserva, Edson Abílio Alves, de 51 anos, foi morto a tiros. Ele estava desarmado quando foi alvejado e morreu no local. Foi uma perda enorme. Conhecia Abílio, pois, servi com ele no final de sua carreira, assim como conheço o sargento Orlando Moreira atingido por 6 disparos neste dia 07 de outubro de 2019. Está internado em situação estável até o momento em que escrevo.
Aqui em São Paulo, onde estou fazendo um curso de policiamento rodoviário, entrei em forma duas vezes para homenagear policiais militares mortos em serviço, isso em menos de 30 dias. Uma sargento foi atropelada por um criminoso em fuga e morreu fardada durante seu turno de serviço. Um jovem tenente atendeu um acidente de trânsito, foi covardemente alvejado por um homem que havia matado sua própria esposa no Rio de Janeiro e tinha se envolvido no acidente. Ouvi, como em outras vezes, o toque de silêncio entoado pelo corneteiro durante a homenagem a esses dois policiais da força pública paulista. Seus acordes fúnebres sempre me fazem ir às lagrimas por tê-los ouvido em funerais e durante as homenagens aos que tombaram em combate policial, ou como nossos pracinhas, na guerra.
E por qual motivo isso acontece? Por nossa própria incapacidade de entender que o traficante não está nem aí para o que é certo ou errado, já que nossas leis penais são risíveis e nossas prisões são faculdades de graduação no crime. Somos reféns de um sistema travado e arcaico que não evoluiu. Estamos presos em debates ideológicos que pouco se importam com números e fatos. Convencidos por uma retórica de que existem vítimas que cometem crimes e não criminosos que cometem crimes.
Há um esforço hercúleo para manter a ordem pública preservada com a criação de inúmeras ferramentas que sempre são insuficientes para casos como os de agressões a policiais. Enquanto isso, criminosos tramam para atingir cidadãos dignos, que doaram seu esforço e juventude para proteger a sociedade e nós os enterramos a toques de corneta e clarim.
Rogo a Deus pela saúde do sargento Moreira. Que eu possa voltar para Camboriú e ter boas notícias de sua recuperação! Mas não se enganem, pois, eu não me engano: ou enrijecemos no combate efetivo contra os criminosos, ou pagaremos com sangue a inércia. 



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