Linha Segurança

Cultura, valores, compromisso profissional e ROTA

por Tiago Teixeira Ghilardi

Sexta-feira dessas, fui conhecer o batalhão da ROTA, unidade operacional especial da polícia militar do estado de São Paulo. Seria mais uma visita a uma unidade militar, como outras tantas que já fiz, porém, fiquei surpreso com o que vi. Não falo da parte operacional, já que não tive contato com isso, e sim da cultura, dos valores e do compromisso profissional da ROTA.

O quartel já é uma história à parte. Ele foi inspirado no quartel da legião francesa estabelecido no país de Marrocos. Foi construído em 1891 e projetado por Ramos de Azevedo, renomado arquiteto. O material usado na construção veio de vários lugares do mundo como França, Itália e Rússia. A parte mais intrigante da visita às instalações são os túneis subterrâneos que interligavam os quartéis da região para passagem de insumos e pessoas. Observando o teto dos túneis, é possível notar a combinação de telhas com desenhos iguais em cada segmento. Toda a estrutura antiga e reforçada impressiona. Parte do trajeto será revitalizado e voltará a conectar alguns quartéis da região. 

O batalhão foi batizado com o nome de Tobias de Aguiar. O presidente da província, Rafael Tobias de Aguiar, antigo nome dado ao então governador, ficou conhecido como o Patrono da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Daí veio o nome ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) criado para combater, através de rondas, os roubos à banco na década de 70. 

Outras três estruturas chamaram minha atenção. A primeira, um painel com o nome de todos os policiais da ROTA mortos em serviço ou em razão dele. O painel fica de frente para o pátio onde estão as viaturas e, através de cada placa, conta a história de dor e sofrimento de policiais e familiares. Ouvi uma das histórias, a de um oficial que estava em um sítio no final de semana com sua família e foram vítimas de roubo. Um braçal da ROTA foi encontrado entre os pertences e os marginais quiseram saber quem era o policial. Para defender sua família ele se apresentou e foi morto em frente a todos. 

O segundo é o Monumento de Canudos que homenageia os policiais militares de São Paulo que tombaram durante a Guerra. Também fica no pátio e traz gravado o nome de todos que morreram. O compromisso dos novos policiais da ROTA é feito em frente ao monumento, demonstrando o respeito daqueles que irão usar o braçal devem ter aos que contribuíram para a construção do país. 

O terceiro é o Monumento ao capitão Alberto Mendes Júnior, que no ano de 1970, combatendo guerrilheiros armados, sofreu uma emboscada com seu pelotão e, para salvar seus homens, decidiu se entregar às forças revolucionárias. O desertor do exército, ex-capitão Carlos Lamarca, decidiu que o jovem tenente Alberto Mendes Júnior deveria morrer para enviar uma mensagem às forças policiais. Foi morto com coronhadas de fuzil na cabeça. Numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça esmagada, o Tenente Mendes foi enterrado. 

Histórias preservadas e reverenciadas, atitudes pouco vistas atualmente. O melhor é que todos podem fazer a visita. Se vier a São Paulo, não deixe de conhecer o Batalhão da ROTA. É possível visitar o espaço somente as sextas, mediante agendamento pelo telefone (011) 3327-7062. 




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