Linha Segurança

Educar para não prender

Por Tiago Teixeira Ghilardi

Não é a primeira vez que venho a esta coluna escrever sobre a relação entre educação e segurança pública. Pela enésima vez uso o projeto Estudante, Cidadão como exemplo para isso. Não posso me furtar em compartilhar boas notícias no campo da prevenção já que as iniciativas neste sentido são poucas e esparsas, principalmente na área da segurança pública. 

Neste dia 20 de novembro, a Secretaria de Estado da Educação (SED/SC) e a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) firmaram um Acordo de Cooperação Técnica, durante solenidade de formatura do Programa Estudante Cidadão de 350 alunos da Escola Educação Básica Edith Gama Ramos, em Florianópolis. 

O objeto do acordo estabelece "um regime de mútua cooperação entre a SED/SC e a PMSC, para o estímulo de atividades de ensino e promoção da cidadania por meio do fomento e desenvolvimento de atividades da Rede de Segurança Escolar nas unidades escolares estaduais, especialmente o programa "Estudante Cidadão".

Hoje são 36 unidades escolares que executam o projeto, que conta com a participação de mais de 7.500 crianças. Cerca de 300 policiais participam da iniciativa em todo o estado. Isso quer dizer que o projeto, que teve início aqui em Camboriú, no CAIC do Monte Alegre, já dá seus frutos.

Santa Catarina tem colhido esses frutos. Se nos compararmos com os outros estados do Brasil, nossos números são espetaculares. Os estados com menor taxa de assassinatos a cada 100 mil habitantes em 2017 foram São Paulo (10,3), Santa Catarina (15,2), Piauí (19,4), Distrito Federal (20,1) e Minas Gerais (20,4). E nós estamos diminuindo vertiginosamente o número de homicídios. Em balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), o número de homicídios registrados em Santa Catarina no mês de agosto de 2019 foi o menor em seis anos.

O grande segredo é não priorizar somente uma ação. A SSP divulgou os motivos da queda da violência e indicou: integração das forças de segurança, enfraquecimento das organizações criminosas e reforço na investigação. Todos esses, pilares importantes para a construção da política de segurança pública. Adiciono, ainda, um quarto: ações preventivas de aproximação visando diminuir as causas.

Nunca pode se perder de vista que é necessário executar todas as atividades típicas de polícia. Uma não exclui a outra. Vejo que desenvolvemos bem a repressão aos crimes e nunca deixaremos de fazê-la. Porém, são necessárias outras iniciativas voltadas ao aprimoramento do projeto Estudante, Cidadão e de outros na área da prevenção. Sem dúvida, investir na criança é garantir um futuro seguro.



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