Linha Segurança

Jovens soldados do tráfico de drogas

Por Tiago Teixeira Ghilardi

O tráfico de drogas é o combustível da violência. Ele alimenta com dinheiro os bandidos e marginais que roubam a vida de jovens, suas famílias e replicam, através da influência criminosa, o terror e o caos. A destruição não é só dos garotos que trabalham como soldados do crime dos grandes traficantes, mas também dos que consomem a droga vendida. 

Principalmente em nossa região, não podemos determinar a falta de oportunidade como fator predominante do ingresso de jovens no mundo do crime. Sobram empregos, sobram vagas nos cursos de formação do Senai e Senac e há oportunidade de ingresso em bons colégios públicos. O que acontece então? O consumo é o que mantém a venda: lei da oferta e da procura. Há interessados em comprar a droga e, portanto, haverá quem venda. O tráfico é uma forma fácil de conseguir dinheiro (não demanda horário de trabalho nem comportamento exemplar). Assim, é correto afirmar que o consumidor alimenta o tráfico e a violência que ele mesmo sofre: o vendedor da peteca de cocaína é o mesmo que coloca a arma na cabeça dele para levar-lhe o celular. 

É impossível fechar os olhos para o problema de saúde pública que é o vício em drogas. Poucos são os programas de tratamento ao adicto e de prevenção ao ingresso no consumo das drogas. Alie-se a isso outros fatores: falta de programas de conscientização familiar sobre o consumo de drogas, o baixo engajamento social de algumas comunidades na resolução de problemas comuns, alto índice de violência contra mulheres e crianças no interior dos lares, falta de punição estatal imediata e eficaz nos casos de crimes mais graves, e por aí vai. Os motivos não poderiam ser esgotados somente nas linhas desta modesta coluna de opinião semanal. 

Essencialmente é necessária uma mudança de comportamento estatal e do cidadão, já que esperar que o estado (forma ampla) resolva tudo não é o melhor caminho. O não endeusamento do estilo de vida do crime já é um ótimo começo. Expressões musicais, desenhos ofensivos e adereços, todos estes com apologia a droga ao crime, são alguns maus exemplos da entrada, sutil, do estilo criminoso em nosso cotidiano. 

Evitar que os jovens tenham como referência os traficantes, é um dever social. Não se consegue isso sem comprometimento comunitário. Buscar aconselhar-se com autoridades para procurar uma forma de ajudar positivamente na comunidade é um ótimo começo para o cidadão que se preocupa com futuro do lugar em que vive. É necessário participar mais para fazer parte da solução, a inércia é parte do problema. 



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