Linha Segurança

O Sniper e o sequestrador

por Tiago Teixeira Ghilardi

Dilemas morais fazem parte de nossa vida. O ser humano vive criando situações teste para submeter suas decisões e analisar a carga de justiça delas, julgando se são adequadas ou não para o convívio social presente. A observação de fatos e situações do dia-a-dia transformam leis que são aplicadas à realidade, ou seja, ganham eficácia no mundo real saindo do papel frio.

Esta análise é necessária antes de tratar do caso do ônibus que foi sequestrado no Rio de Janeiro essa semana. Dentro dele 39 pessoas foram feitas reféns e amarradas por um jovem de 20 anos sem passagens criminais. A polícia militar estabeleceu um gabinete de crise e gerenciou a condução das negociações. 

Os fatos disponíveis eram que o jovem portava uma arma tipo pistola, uma arma de choque, uma faca, além de certa quantidade de líquido inflamável. O comportamento , observado por policiais militares experientes, era agressivo e potencialmente letal. É impossível negar que houvesse ameaça real e iminente à vida de todos os reféns. 

A partir deste cenário, os policiais militares observaram que toda vez que o seqüestrador saía do ônibus, expunha seu corpo cada vez mais. Numa dessas saídas foi alvejado por um sniper do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e foi a óbito. Todos os reféns foram socorridos ilesos. Em Santa Catarina, para ser um Sniper do BOPE exige-se que, além de ser formado em Operações Especiais (Caveira), integrante do Comando de Operações de Busca Resgate e Assalto (COBRA), exige-se também a especialização em Tiro de Precisão. São horas diárias de treinamento árduo para alcançar traços de perfeição. 

O debate em torno da ação policial foi levantado na grande mídia e redes sociais. O que me causa estranheza é o desconhecimento da lei por parte de algumas pessoas que criticaram a decisão. O Código Penal Brasileiro e o Código de Processo Penal elencam os casos em que há a obrigação de agir pelos aplicadores da lei, principalmente quando alguém arrisca a vida de outras pessoas. As chamadas excludentes de ilicitude amparam ações como aquela tomada no Rio de Janeiro. 

A polícia militar, sem sombra de dúvidas, agiu de forma correta e como mandam os principais manuais de gerenciamento de crise mundo afora. Caso algum refém tivesse morrido, a ação policial não poderia ser considerada exitosa, como no episódio do ônibus 174 em que uma refém morreu. 

A morte não deve ser comemorada, porém, a vida dos que foram salvos sim. Fazer proselitismo político em torno de uma ação legítima e legal é flertar com o anarquismo. 




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