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Patriotismo e civismo: sentimentos ou responsabilidades ao cidadão?

por Tiago Teixeira Ghilardi

A Lei Federal 662/1949 institui o dia 7 de setembro de cada ano como feriado nacional alusivo ao Dia da Pátria. É a semana em que mais se vê a bandeira nacional tremulando, o hino nacional sendo executado e o espírito cívico presente, ao menos deveria ser assim.

Em Camboriú, como em outros lugares do Brasil, celebra-se o nascimento do Estado brasileiro com desfiles cívicos e paradas militares: crianças de escolas públicas e particulares expõem trabalhos feitos sobre a cultura e história do Brasil. Organizações civis apresentam suas ações em benefício da sociedade, policias militares e militares das Forças Armadas ocupam a avenida com seu efetivo fardado, em formação, apresentando armas e viaturas.

Para além da parada cívica, nessa época, dois conceitos são usados de forma indiscriminada e pouco compreendidos por todos: patriotismo e civismo.

O patriotismo, segundo dicionário Michaelis é o amor à pátria, devoção ao seu solo e às suas tradições, à sua defesa e integridade, ou seja, é o sentimento dos que querem servir o seu país e ser solidário com os seus compatriotas. É impossível medi-lo de maneira objetiva, pois, floresce dentro do peito de cada cidadão.

Já o civismo retrata as atitudes e comportamentos que no dia-a-dia manifestam os cidadãos na defesa de certos valores e práticas assumidas como os deveres fundamentais para a vida coletiva, visando a preservar a sua harmonia e melhorar o bem-estar de todos. Mais especificamente, o civismo consiste no respeito aos valores, às instituições e às práticas especificamente políticas de um país. Se o patriotismo é sentimento, o civismo é a prática dele.

Para Antônio Fernando Pinheiro a identificação com os valores da pátria faz toda a diferença na formação do cidadão. Sem essa identificação o indivíduo não exerce a cidadania sequer no seu lar, na sua rua, no seu bairro, na sua cidade e no seu estado, quanto mais na defesa do País. Que contribuição você tem dado para o exercício efetivo da cidadania através de ações que acompanhem os conceitos de civismo?

Tenho presenciado cada dia mais as pessoas exigindo direitos e muito pouco praticando seus deveres. Nas ocorrências de perturbação do sossego, em que não há o respeito ao direito do outro. Nas ocorrências em que o cidadão estaciona o seu veículo em frente à garagem de outra pessoa, sem se preocupar. Nas ocorrências de Maria da Penha que crescem vertiginosamente. Nas ocorrências em que crianças e adolescentes são abusados física e sexualmente. Todos temos responsabilidade sobre tudo isso que ocorre muito próximo a nós. Não é só função do Estado, mas responsabilidade de todos.

Exija seus direitos sempre, mas não se esqueça de praticar os seus deveres. Reflita sobre isso não só no dia da pátria, mas todos os dias em que vive nela.




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