Linha Segurança

Qualidade de vida na profissão

por Tiago Teixeira Ghilardi

Ouvi há pouco, em um programa de rádio, os apresentadores falando dos altos índices de depressão entre os operadores de telemarketing. Comentaram que por terem que cumprir metas, eles falam com muitas pessoas, recebem respostas grosseiras e mal-humoradas, o que aumenta muito o estresse e, consequentemente, afeta negativamente a qualidade de vida destes profissionais. 

Sem sombra de dúvidas isso é verdade. Mas me fez refletir sobre o que o policial militar passa todos os dias ao atender ocorrências consideradas corriqueiras. Perturbação do sossego com som alto, desentendimentos comerciais e em condomínios, brigas de casal, abandono de crianças e por aí vai. Você já se imaginou tentando mediar um conflito destes gêneros? Já pensou o que você escuta em um dia de 12 horas de serviço? Desde "eu pago o seu salário" até "sem essa farda tu és um m**". 

E as metas? O atendimento dos chamados através do 190 são obrigatórios, o policial militar não escolhe o que atender, ele deve prestar o serviço. Não importa a condição do tempo, da estrada, a periculosidade do lugar ou a precariedade do equipamento, sem citar as ameaças em razão do desempenho de sua função.  

Não existe folga para o policial militar, ele sempre deve manter a atenção em alta. Imagine viver cada segundo de sua vida, devendo se preocupar com a sua segurança e de sua família. Sair em público e esconder aquilo que você faz, esconder sua identidade, já que hoje no Brasil os policiais militares morrem simplesmente por serem policiais militares. 

A saúde mental também sofre devido à relação com o produto do trabalho. Atender ocorrências impõe o contato com cenas de estupro de crianças, violência contra mulheres, homicídios, graves acidentes de trânsito que geram uma carga emocional negativa. Alie-se a isso a indispensabilidade de utilizar a força em algumas situações, não sendo possível evitar, já que utilizar a força, na maioria das vezes, é a única possibilidade de salvar a própria vida. Poucos são os policiais militares que procuram ajuda para amenizar os efeitos danosos do dia-a-dia. A maioria sofre calada, pois, não encontra ninguém que possa compreender sua rotina. 

A empatia é importantíssima para esse profissional. Colocar-se no lugar daquele que é o verdadeiro protetor da estrutura social atual, já abranda o descaso com que ele é visto por grande parte da comunidade. Em outras sociedades o serviço policial é respeitado e admirado, motivo de orgulho para a coletividade e apoiado por ela. É preciso evoluir e entender que o trabalho do policial militar não é ser militar e sim servir e proteger a todos, com a ajuda de todos! 




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