Linha Segurança

Setembro Amarelo e a farda

por Tiago Teixeira Ghilardi

Quem tenta se suicidar não comete crime. Isso não quer dizer que o estado não tenha a obrigação de prevenir atitudes suicidas. Não só tem como deve. A depressão, doença que na maioria das vezes desencadeia o suicídio, cresce entre a população e os motivos devem ser investigados. Ações sólidas devem ser adotadas para evitar uma epidemia de casos suicidas. 

Estamos no mês de Prevenção ao Suicídio, o Setembro Amarelo, que abriga também o dia de Prevenção ao Suicídio comemorado nesta última quinta-feira (10). A Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirma a importância de todos os países adotarem estratégias de prevenção com eficácia comprovada.

De acordo com o diretor-geral da OMS, é possível evitar o suicídio. Ele diz que, para isso, as nações precisam se mobilizar para implementar ações eficazes e políticas públicas eficientes. Dados da organização informam que apenas 38 países têm programas nacionais de saúde e políticas eficientes de prevenção ao suicídio.

O Brasil tem uma taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes que aumentou 7%, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8%, segundo a OMS. Os dados comparam as mortes autoprovocadas registradas pela OMS em 2010 e em 2016 em diversos países do mundo.

O quadro piora para os policiais. A categoria chega a ter 4 vezes mais suicídios do que o restante da população. Hoje, no estado de São Paulo, morrem mais policiais devido a suicídio do que em confrontos nas ruas. Entre 2017 e 2018, foram 71 suicídios nas Polícias Civil e Militar paulistas, enquanto nove policiais morreram em confronto nas ruas. Não existem muitos estudos sobre o tema. Mas posso afirmar que a pressão por resultados, a carga emocional negativa adquirida ao lidar com situações de extremo risco e o contato permanente com cenas de violência são alguns dos fatores que tornam o policial um potencial suicida.

Admito que não é fácil encontrar as causas que levam as pessoas a tomar a decisão de tirar a própria vida. Nos dias atuais, vive-se atrás de telas de celular e em dedicação quase exclusiva para o trabalho. As redes sociais vendem a falsa ideia de alegria constante, juventude eterna, beleza padronizada, riqueza infinita e sucesso permanente. Isso não existe. Todos vivem vidas com altos e baixos, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. Mesmo os mais ricos, bonitos e bem-sucedidos sofrem com depressão e perdas e cometem suicídio.

O equilíbrio emocional é fundamental para manter a saúde mental, principalmente entre os policiais. Não existem heróis invencíveis e inatingíveis em nossa profissão. Todos são humanos que falham e se emocionam. Conversar sobre isso é sempre a melhor saída. Estar disponível para amparar alguém nestas condições é um ato de altruísmo e humanidade extrema!




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