Minha cidade

Camboriú, a eterna promessa.

Por Alexandre de Souza Metsger

Nossa cidade é cercada por potências turísticas e econômicas. Há poucos quilômetros de distância, vemos realidades econômicas completamente distintas, o valor do metro quadrado construído pode chegar há uma diferença de 40 vezes maior entre Camboriú e Balneário Camboriú. Dados do último senso do IBGE apontam que o PIB per capita de Camboriú é de R$ 17.154,54; o de Balneário Camboriú de R$ 38.061,55; e o de Itajaí em R$ 103.068,37. A primeira pergunta que devemos fazer é: Por que em um raio de 20km temos tanta diferença?

A resposta principal é vocação. Camboriú, em sua história, se desenvolvia com grande vigor na exploração do mármore e granito, pela cultura de café e até chegou a ser líder de produção dessas atividades. Com a diversidade climática, o café ficou de lado, e a cultura do arroz então tomou o protagonismo em seu lugar. Com o crescimento populacional e as demandas que o acompanham, essas fontes de renda não foram suficientes para manter a cidade pujante. Com a emancipação em 1964, a cidade perdeu, por fim, qualquer potencial de receitas da exploração turística. O tempo parou, pelo menos para Camboriú, que após o esgotamento das suas jazidas de mármore e granito, viu restar apenas o arroz, a cerâmica e pequenos comércios. Do nome capital do Mármore só sobrou poucas pedreiras, com impacto financeiro insuficiente para agregar renda aos habitantes.

E agora, o que fazer? Não precisa ser um gênio para concluir que Camboriú precisa sair do status cidade dormitório e gerar emprego e renda. Aliás, esse é o discurso de campanha política que escutamos a cada período eleitoral, e infelizmente morre no discurso. Com a explosão demográfica de nossa região, vem o aumento do consumo de produtos, bens e serviços. A cidade tem aproximadamente 6km margeando a BR-101 e quase 9 milhões de m² entre a BR e a estrada geral do Rio do Meio, está em posição estratégica de distribuição na região. A resposta mais prática nesse momento é um grande Distrito Industrial.

Esse discurso é unânime, tanto pela administração municipal quanto pela câmara de vereadores, mas porque não vira realidade? Precisa de atitude, amigo leitor! Para transformar essa região em industrial, primeiro precisamos alterar o plano diretor, e para isso definir os parâmetros de uso e potenciais construtivos, precisamos de audiência pública, e do apoio dos vereadores. Por si só a alteração dos usos dessa área traria inúmeros empreendimentos particulares, como condomínios industriais, e o melhor, sem gastar dinheiro público. Sem preparar as fundações de uma casa, não adianta começar o telhado.

Até a próxima semana.




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