Período de festas pode despertar episódios de tristeza e recaídas depressivas

Rogério Tolardo é Farmacêutico / Consultor de Negócios, Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Univali, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV

Festas de final do ano estão chegando e para muitas pessoas é a uma época maravilhosa de celebração e de fraternidade. Para muitas outras pessoas está chegando também uma fase difícil de lidar e é justamente neste período que crescem, para pessoas predispostas, episódios de tristeza ou recaídas depressivas.

Muitas vezes esse sentimento de desamparo e desânimo é desencadeado por datas que nos trazem muitas lembranças. Perdas de familiares, separações, desemprego ou doenças. Todos esses fatos provocam o que podemos chamar de sentimento profundo de tristeza. É normal e necessário que a pessoa sinta tristeza quando sofre uma perda, mas, deve-se ter cuidado para que um episódio de tristeza não desencadeie uma patologia depressiva. 

Depressa?o e? um grande problema mundial, é um tipo de transtorno caracterizado por alterac?a?o no humor conti?nua e falta de interesse em atividades prazerosas (anedonia), um estado patológico com redução da atividade física e psicológica, ocasionando prejui?zos das func?o?es profissionais e sociais. 

A depressa?o pode ocorrer na infa?ncia, adolesce?ncia e maioridade, com maior prevale?ncia em mulheres (5 a 20%), que em homens (3 a 12%). 

Os sintomas de pacientes com depressa?o podem incluir a falta de interesse em atividades prazerosas, aumento ou diminuic?a?o do sono, aumento ou diminuic?a?o do apetite ou peso, falta de energia, falta de concentrac?a?o, baixa da auto-estima, sentimento de culpa, ideia de morte ou suici?dio. Pelo menos cinco dos sintomas relacionados devem ocorrer concomitantemente por um peri?odo de tempo superior a três meses para se obter o diagno?stico da depressa?o maior ou unipolar. Os sintomas devem estar presentes na maior parte do dia, quase que diariamente. 

A maioria das pessoas com depressa?o recusam-se a procurar orientac?a?o me?dica e/ou sa?o tratadas atrave?s de diagno?sticos imprecisos. 

10 a 30% dos pacientes na?o sa?o diagnosticados de forma correta por seus me?dicos, sendo este um dos fatores que influenciam na recidiva. Mais de 50% dos pacientes que se recuperam de um primeiro episo?dio de depressa?o tera?o um ou mais episo?dios depressivos durante a vida. O custo econo?mico da depressa?o e? extensamente relevante, com estimativas que chegam a va?rios bilho?es de do?lares por ano, muito deste fardo econo?mico acarreta em absentei?smo de trabalho e baixo desempenho na produtividade. 

A patoge?nese da depressa?o parece envolver um desequili?brio bioqui?mico no cérebro. Sugere-se que regio?es do ce?rebro como o co?rtex pre?-frontal, ami?gdala, partes relacionadas do estriado, co?rtex cingulado e hipocampo esta?o envolvidos na neuroanatomia da depressa?o. Médicos psiquiatras, neurologistas, além de psicólogos são os profissionais aptos para o diagnóstico mais preciso da doença. 

Durante va?rias de?cadas, a teoria mais aceita para a patoge?nese da depressa?o envolve a deficie?ncia orga?nica de neurotransmissores como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. A teoria e? aceita ate? os dias de hoje, pois pacientes deprimidos ao usarem substa?ncias que aumentam esses neurotransmissores apresentam melhoras no quadro cli?nico. 

Desde que tenha sido realizado um diagnóstico correto que leve em consideração todos os fatores envolvidos, o que se pode esperar do paciente com depressão é uma melhora total do quadro depressivo. As expectativas são atualmente muito boas com os atuais métodos de tratamento e principalmente com os fármacos de última geração, o prognóstico é realmente muito bom. 

Sugere-se que o tratamento da depressão não seja orientado apenas pela utilização de antidepressivos. Psicofármacos constituem apenas uma parcela do tratamento e as alternativas devem ser consideradas pela equipe multiprofissional para o manejo adequado do paciente. 

É importante salientar que farmacoterapia não vai facilitar as relações interpessoais ou resolver os conflitos internos dos pacientes. Quando o uso do antidepressivo for realmente necessário, a avaliação cuidadosa do paciente e a escolha do medicamento com base no seu perfil de eficácia, segurança e custo devem ser considerados, contribuindo para seu uso racional. 

Não deixe de procurar ajuda médica quando sentir que a tristeza estiver muito presente. Depressão é um tipo transtorno que pode gerar uma série de problemas, tanto a nível médico, quanto profissional e pessoal, portanto, quanto mais cedo esse transtorno for diagnosticado, mais rápido poderá ser tratado e resolvido, não deixe de procurar ajuda.



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