Período mais quente se aproxima e cuidados redobrados contra os piolhos

Rogério Tolardo é Farmacêutico / Consultor de Negócios, Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Univali, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV

Dias mais quentes se aproximando e por muitos um período do ano preferido, especialmente para quem vive no litoral. É neste período que os cuidados com a saúde são retratados com mais vigor pela mídia e entre os principais assuntos estão as temidas intoxicações alimentares, desidratações e insolação.

Mas, há um problema que também surge nesta época e que pode causar não apenas incômodo, como outros problemas de saúde. Trata-se da infestação por piolhos, especialmente em crianças. 

O piolho é um pequeno inseto que vive exclusivamente no cabelo. Um piolho fora de um couro cabeludo não consegue sobreviver muito e morre dentro de aproximadamente 48 horas. A fêmea possui uma vida média de 30 a 40 dias, sendo capaz de produzir até dez ovos por dia e, ao longo da sua curta vida é capaz de depositar mais de 200 ovos numa pessoa infectada. 

Os ovos do piolho, que recebem o nome de lêndea, ficam aderidos à base dos cabelos próximo ao couro cabeludo por até oito dias, tempo médio para o nascimento de novos piolhos. 

Uma pessoa infestada por piolhos é dita como portadora de pediculose. Um paciente com pediculose, portanto, é um paciente com piolhos. A pediculose é, uma das doenças mais comuns em crianças dos três aos 12 anos e se estima que até 1/4 das crianças tenham piolho. 

A transmissão do piolho é feita por contato pessoal e por objetos. O modo de interação entre as crianças é muito mais próximo e pessoal do que entre os adultos, o que explica a facilidade de transmissão nesta faixa etária. É sabido que o piolho pode passar de uma pessoa para outra através de objetos, como toalhas, roupas, bonés, arcos de cabelo, pentes, escovas e roupa de cama. Um piolho adulto pode sobreviver por até dois dias em um objeto ao "aguardo" da transmissão. 

Muito diferente do que se pensa, a maioria dos casos de piolho é assintomática, por vezes as pessoas não sentem que estão com piolhos. Por esse motivo, é rotina em algumas escolas a frequente inspeção das crianças à procura de piolhos, evitando que o parasita se torne endêmico. 

Nos casos sintomáticos, o principal relato das pessoas acometidas por piolhos é uma intensa coceira na cabeça, geralmente surge no mesmo dia da contaminação ou no máximo no dia seguinte. Ela ocorre por reação à saliva do piolho, que é liberada enquanto este se alimenta de sangue e restos de pele do couro cabeludo. Também, comichão na nuca e atrás das orelhas são bastante comuns. Em alguns casos as coceiras são tão intensas que a criança tem dificuldade em dormir, outras coçam tanto que formam feridas na pele. 

Uma das principais complicações da pediculose é a infecção bacteriana das feridas causadas pela coceira. Esta infecção é causada quando a bactéria estafilococos, que vive na nossa pele, contamina a ferida aberta pelo ato de coçar a cabeça freneticamente. 

TRATAMENTO 

Existe uma grande variedade de tratamentos e remédios para combater os piolhos. No entanto, tão importante quanto o uso de medicamentos é a constante inspeção em todas as pessoas ao redor do caso identificado. Se uma criança for tratada para piolhos, mas seus irmãos ou colegas de turma, também infectados, não o forem, a chance de reinfecção é bastante alta. 

O tratamento é feito preferencialmente com inseticidas especiais que não causam danos a pele. Estes podem ser aplicados em forma de xampus ou loções. Algumas das substâncias usadas incluem a Permetrina e a Deltametrina. 

A ivermectina, um medicamento na forma de comprimidos é uma opção válida para os casos resistentes aos inseticidas tópicos. 

Nunca use medicamentos, xampus ou loções que não tenham sido indicados pelo médico ou farmacêutico, pois podem trazer grandes riscos de reações alérgicas intensas. 

Muito válido, o pente fino é um grande aliado para remoção dos piolhos e lêndeas, para tanto, pode-se usar vinagre ou azeite para facilitar o trabalho de remoção. Mas atenção: estas substâncias ajudam na remoção mecânica, mas não matam o piolho ou a lêndea. O vinagre pode ser aquecido até ficar morno e depois misturado a um condicionador ou pode também ser misturado com água, em uma solução com proporção de 50% para cada um para evitar riscos de alergias. Quando aplicado e abafado com um touca plástica por pelo menos 30 minutos, o vinagre tem a propriedade de dissolver a camada que envolve o ovo (lêndea), impedindo a fixação do mesmo no fio de cabelo. Passe o pente fino, de preferência aqueles metálicos e em seguida os piolhos e as lêndeas sairão com facilidade. 

Após o tratamento, a identificação de lêndeas não significa necessariamente falha do mesmo. Se não houver mais piolhos, estas podem ser apenas resíduos de ovos velhos que permaneceram grudados ao cabelo. 

A roupa de cama deve ser trocada diariamente, lavada com água quente e depois passada a ferro. Os pentes usados devem ser fervidos e lavados com álcool. 

Enquanto houver piolhos, procure comunicar a escola e a criança deve ficar em casa. Não se esqueça de avisar a direção do colégio para que outras mães possam ficar atentas nos cuidados dos seus filhos.



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