Reportagem Especial

Ciclismo: Um estilo de vida

Além de apenas um meio de transporte, o ciclismo tem crescido consideravelmente no país e em Camboriú nos últimos anos, unindo grupos para a prática do esporte

Foto: Arquivo Pessoal

Melhora na saúde física, aumento do combustível, sustentabilidade, trânsito intenso, ou por mais simples que parece, o amor pelo esporte. Diversos são os motivos que tem impulsionado o crescimento do ciclismo no país. O que antes parecia uma febre momentânea, tem se tornado uma tendência mundial, e até mesmo um estilo de vida para quem tem se aventurado com as bicicletas.  

Adepto ao ciclismo há seis anos, Leonardo João Pereira, de 32 anos, percebeu há necessidade de ter alguém mais próximo que trouxesse as linhas de Bike Shop, além das bicicletarias já findadas no município, aquelas especializadas no conserto de bicicletas. A partir disso, Leonardo fundou a loja Force Bike Store há cerca de um ano, com o objetivo de atender o aumento da demanda, trazendo roupas estilosas, bermudas específicas para a prática do esporte, luvas, capacete, e diversos acessórios. "Porque virou meio que uma tribo, a galera da bike", completa Leonardo.


Leonardo sentiu a necessidade de trazer o Bike shop para Camboriú, devido ao aumento da demanda. / Foto: Jornal Linha Popular

Os modelos de bicicletas variam bastante, sendo as mais utilizadas: fixa, mountain (mtb) e speed. As fixas são bicicletas utilizadas em velódromo, ou seja aquelas pistas ovais de ciclismo, elas não possuem freio, nem marcha, além disso, tem engrenagem fixa, ou seja, enquanto a roda gira a bike tá pedalando. A MTB são as com suspensão para trilhas, elas possuem marcha, freio e um conforto maior para off-road. Enquanto as Speed são as bicicletas de longa distância, próprias para corridas em pista, os pneus são mais finos, com marcha e posição mais aerodinâmica.

Apaixonado pelo ciclismo desde criança, Alan Martinski, de 23 anos, faz os seus treinos através da fixa, e inclusiva participa de campeonatos da modalidade. Para ele, a maior vantagem da bicicleta hoje em dia é a mobilidade urbana. "A gente vive em uma região em que o trânsito é muito caótico e intenso, as pessoas não tem tempo para se exercitar, para nada, então elas vivem muito estressadas, nada melhor que uma bicicleta na vida de uma pessoa para ela poder ajudar a tirar esse estresse e aprender a conviver no meio da sociedade", opina.

Leonardo conta que quando começou a pedalar, ele acreditava que seria uma febre momentânea, e que em breve, o pessoal iam acabar deixando o ciclismo de lado. "Mas foi ao contrário, a coisa foi só aumentando. Depois a gente analisa todo o mercado, e vê que a perspectiva das grandes empresas é de um crescimento de 10%, 13%, 15% ao ano, então é um grande aumento", comenta.

Em concordância, Alan completa que anos atrás, as lojas especializadas vendiam cerca de uma bicicleta a cada dois meses, e hoje, há locais que vendem duas bicicletas por semana, e que a tendência é aumentar.

Cada bike é específica para um tipo de treino e gosto pessoal. O MTB por ser um ciclismo de estrada é mais adepto ao público adulto, principalmente em Camboriú, que possui trilhas nos interiores, que são utilizadas por esses ciclistas para a prática do esporte. Enquanto, a Fixa e o Speed são bicicletas de pista e estrada, ou seja, falta espaço no município para sua utilização, sendo assim, os adeptos optam por práticas em rodovias, como a BR-101.

O Leonardo, que é mais adepto ao MTB, conta que também existem pistas, mas são poucas as cidades que possuem estrutura, como por exemplo Indaial, onde no final do ano passado realizou o JASC, com uma pista própria da Prefeitura. " Camboriú não tem nenhuma estrutura assim, mas no interior podia ter algumas placas como 'atletas na pista', porque se você vai no interior é muita gente pedalando nos finais de semana, então acho que seria interessante conscientizar o pessoal a andar devagar. Mas não critico Camboriú porque dificilmente uma cidade tem a estrutura voltada para isso", opina o lojista.

Para Alan, a falta de estrutura para a prática do esporte, ou por sua mobilidade, pode ser um problema, pois dessa forma, as pessoas se vêem obrigadas a pedalar no trânsito, o que pode ser perigoso, já que muitos motoristas não se colocam no lugar do ciclista. "Temos que tomar cuidado o tempo todo. Eu acho que seria muito interessante todas as pessoas terem uma bicicleta em casa para sentirem o que é estar no meio do trânsito, porque ciclofaixa não tem em todo lugar, não é todo lugar que é seguro, então, muitas vezes, a gente tem que disputar espaço com o trânsito e muitas vezes acaba não sendo tão fácil", diz.

Além disso, mesmo nos locais que há a presença da ciclofaixa, há uma disputa entre corredores, patinetes elétricos, skates e o outros. Outro fator é que a ciclofaixa tem um limite de 20km/h, o que para ciclistas mais antigos, como o Alan, é um problema, pois seus treinos são de 30 ou 40km/h, ou seja, dessa forma, há um risco de atropelar outras pessoas que estão praticando outros esportes no local, por isso, ele opta por pedalar no canto direito das vias.

O ciclismo também traz muitos benefícios tanto para a saúde física, quanto para a mental, dentre eles: fortalece a musculatura, auxilia na saúde do coração, reduz o estresse, melhora a respiração, ajuda no equilíbrio, entre outros. Para Alan, a bicicleta contribuiu muito para a sua saúde mental, pois como sempre foi uma pessoa depende de companhia, com a bike, ele sente como se ela fosse sua namorada, que o leva para os lugares e o guia. "Ela me diz para onde ela quer ir e eu só vou pedalando, é uma companhia perfeita", completa o ciclista.

O ciclismo permite conhecer novos lugares e novas pessoas, principalmente para pessoas que gostam de pedalar longas distâncias, e também participar de eventos. Dependendo da modalidade, os eventos são organizados por grupos de pessoas que praticam o esporte, por isso, muitas vezes acabam sendo em lugares mais distantes. Agora em março, Alan e seu grupo pretende trazer um desses eventos para Balneário Camboriú, o The Last Man Standing, que contará com categoria masculino e feminino. "Ainda estamos vendo certinho para ver o que a gente consegue fazer", explica.


Alan viaja para participar de eventos relacionados ao esporte. / Foto: Arquivo Pessoal

Para quem quer começar no esporte, além do investimento em uma boa bicicleta, os equipamentos indispensáveis são: capacete, luvas e sinalizadores. Leonardo explica que esse investimento sai em torno de 180 reais, mais o valor da bicicleta que seria de 1.500 à 2 mil reais. O capacete seria por volta de 90 reais, para aqueles que realmente proporcionam segurança, luvas a partir de 30 reais e sinalizadores, 20 reais cada. "Se você for tomando gosto ai vai ter que ter outros equipamentos que te proporcionem ir a outros lugares, que encarecem a conversa um pouco mais", completa o dono da Force Bike Store, que trabalha com todos esses tipos de produtos, além de linhas casuais e acessórios especializados.


A Force Bike Store trabalha com produtos específicos para a prática do ciclismo. / foto: Jornal Linha Popular

Outro ponto é comprar uma bicicleta personalizada para o seu tamanho, pois muitas pessoas começam a praticar o esporte e desistem por sentir dores nas costas e no joelho. Essas dores acontecem, pois a sua bicicleta não está do tamanho correto, por isso é importante fazer o Bike Fit, que é personalizar a bicicleta para o seu corpo, alterando tamanho de banco, guidão e outras características. Alan conta que o bike fit também ajuda caso a bicicleta seja roubada, pois por ser personalizada, fica mais fácil de encontrar, já que dificilmente terá uma igual.

O aumento que é percebido tanto no mercado, quanto para aos que praticam o esporte deve ser, como Leonardo avalia como uma tendência mundial, e que o Brasil possui muito espaço para isso. Alan participa que participa de grupos de ciclismo, acredita que desde 2015 o aumento ciclistas no Brasil deve ter triplicado, pois em sua experiência pessoal, ele conta que todas as semanas, na segunda-feira, realiza um "pedal" com os amigos. No começo, eram apenas de 5 a 10 pessoas participantes. Atualmente, há semanas que o grupo chega a contar com 30 ciclistas. "Ta sendo muito gratificante porque a gente tá conseguindo mostrar pra eles que a bicicleta existe", diz.



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