VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Camboriú já tem 63 inquéritos policiais instaurados neste ano

10 Março 2018 10:20:00

Número representa 45% do total de procedimentos abertos pela Polícia Civil no município

Adriano Assis
Foto: Adriano Assis/LP

Quase metade dos inquéritos policiais instaurados neste ano em Camboriú são relacionados a violência contra a mulher. Exatos 63 dos 140 procedimentos abertos pela Polícia Civil no município, ou seja 45%. Os dados foram repassados no Dia Internacional da Mulher pelo Núcleo de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso da Delegacia.  

De acordo com a delegada Giselle Cristiane Costa Lima foram solicitadas em 35 medidas protetivas apenas nos dois primeiros meses de 2018. Durante todo o ano passado, foram 212.

O Núcleo de atendimento à mulher dentro da nova Delegacia de Camboriú começou a funcionar em março do ano passado. Para a delegada, por ser um ambiente menos intimidante, ele ajuda a aumentar o número de denúncias.

"Ela sabe que vai chegar na delegacia, vir aqui em cima, ser atendida por uma escrivã mulher. Se quiser medida protetiva já pede ali e damos o encaminhamento imediatamente", explica.

Caso a escrivã perceba necessidade, ela aciona o policial psicólogo Gustavo do Rego Barros Brivio. O primeiro atendimento acontece ainda na delegacia e a vítima pode ser encaminhada, dependendo do caso para um dos integrantes da rede formada pelo Creas (acompanhamento psicossocial), Caps (atendimento psiquiátrico), Cedit (violência sexual) ou hospital (violência sexual ocorrida há menos de 72h).

"Não são casos isolados"

Um dos projetos desenvolvidos pela Regional é o grupo reflexivo de mulheres, chamado de "PC por Elas". Um encontro entre vítimas de violência doméstica onde elas trocam experiências.

"Nele elas podem refletir sobre esse fenômeno da violência contra a mulher. Para que ela entende que não é um episódio fortuito. Ele se situa numa construção social mais complexa", afirma o policial psicólogo. Os encontros acontecem nas terças-feiras na Casa dos Conselhos, no bairro Municípios, em Balneário Camboriú.

Ao contar suas histórias, diz Barros Brivio, elas reparam suas marcas e ajudam as demais a notarem semelhanças em seus casos, se identificarem e até perceberem se estão em um relacionamento abusivo, se a relação está caminhando para um futuro episódio de violência e como sair dele.

"Sem entender que isso é fruto de uma construção social, há uma boa chance dele voltar a ser agredida dentro deste relacionamento ou voltar a ter relacionamentos assim", acredita.

Violência à mulher em 2017 - Camboriú

Lesão corporal: 175

Homicídio: 2

Tentativa de homicídio: 6

Estupro: 53

Ameaça: 203

Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP




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