Rio Camboriú pede socorro

Poluição e estiagem causam morte de peixes no rio Camboriú

Deve chover pouco nos próximos dias, o que piora a situação

Água preta, mau cheiro, peixes mortos. Esta é a situação atual do Rio Camboriú, que pode ser vista facilmente por quem passa todos os dias pelo centro da cidade. Os motivos para o fato são velhos conhecidos da população: falta de água e nenhuma rede de esgoto.

Até agora, esta cena era recorrente nos verões locais, quando nossa região recebe milhares de turistas e a Emasa retira água do Rio Camboriú acima do volume outorgado (permitido pelo órgão estadual), deixando o rio sem nenhum fio de água para garantir que o esgoto que despejamos no curso d'água seja diluído e os peixes possam sobreviver - a chamada vazão ecológica.



Agora, em pleno inverno e sem volume de turistas estamos passando novamente pela crise hídrica que impede que nosso Rio tenha vazão ecológica. E além disso, estamos na iminência de passar novamente por períodos de falta de água na casa dos cidadãos. Para se ter ideia do problema, no início deste mês de agosto Camboriú entrou para lista de municípios catarinenses em condição de estiagem divulgada pela Epagri/Ciram, órgão estadual de monitoramento do clima.

Diante destes fatos, o Linha Popular procurou órgãos responsáveis pela gestão da água e do esgoto para saber o que falta para resolver estes problemas, salvando o Rio Camboriú e garantindo água para abastecer as duas cidades.

Solução para o abastecimento de água 

Há mais de 10 anos o Comitê do Rio Camboriú indica e defende a construção de um Parque Inundável Multiuso, na área rural da cidade, que além de garantir a reserva de água bruta para momentos de escassez, também contribuirá para a minimização do problema de enchente nos bairros ribeirinho de Camboriú e Balneário Camboriú.

O presidente do Comitê, Gilmar Pedro Capelari, explica que o parque vai funcionar como um grande lago, que será abastecido com água da chuva para suprir a necessidade em tempos de pouca pluviosidade. "Temos chuvas concentradas na nossa região e perdemos esta água rapidamente para o mar. Ter um grande reservatório para esta água nos dará uma segurança hídrica importante para o desenvolvimento das duas cidades e para manter o Rio Camboriú vivo", destaca ele.

A Emasa, responsável pela captação de água que abastece as duas cidades, informou por meio de nota que desde o ano passado estuda e analisa opções a curto, médio e longo prazo decorrente da atual e futura situação hídrica do Rio Camboriú. O órgão informou que entre as medidas em estudo está o Parque Inundável Multiuso. "O parque terá capacidade para armazenar de 2 a 3 bilhões de litros de água bruta, para serem usadas quando necessário. Além de aumentar a disponibilidade hídrica e deter as vazões de cheias, o projeto também será um espaço para uso recreativo e de conservação ambiental dessa área. O projeto está praticamente concluído, porém, foi identificado uma parte do solo argiloso e a empresa não possui expertise para essa análise. Foi contratado uma outra empresa para fazer a análise desse solo, o que pode alterar o valor final da obra. A entrega está prevista para o próximo mês", destaca a Emasa.

Além do Parque Inundável, estão sob estudo um Projeto Básico para captação e adução de água bruta do Rio Itajaí Mirim e discussões sobre reuso da água e dessalinização da água do mar.

Solução para a falta de coleta e tratamento de esgoto 

No dia 25 de outubro de 2010 a Prefeitura de Camboriú assinou um Termo de Ajustamento de Conduta - TAC com o Ministério Público Estadual que comprometia o Poder Público a tomar medidas que melhorassem o saneamento da cidade. De lá para cá, passados quase 10 anos, pouca coisa foi feita. Para cobrar que este acordo judicial saia do papel e passe a melhorar efetivamente a realidade da cidade, o Judiciário de Camboriú deu um prazo até o final de agosto para que a Prefeitura apresente um caminho objetivo para resolver o problema. 

A prefeitura de Camboriú declarou à reportagem que no ano passado solicitou à Águas de Camboriú que apresente proposta para resolver o problema do esgoto na cidade. A diretora executiva da Águas de Camboriú, Thaís Forest Galina, informou que mesmo não estando previsto no contrato original, a Águas de Camboriú desenvolveu estudos e colocou à disposição da prefeitura um projeto para implantação do sistema completo de captação e tratamento de esgoto na cidade de Camboriú. "A concessionária apresentou uma proposta com tecnologia de ponta, mediante a assinatura de um termo aditivo para acrescentar obrigações para a concessionária que não previstas inicialmente no contrato. O projeto preliminar feito pela concessionária prevê uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), 30 estações elevatórias e 280 quilômetros de rede de esgotamento".

Se a proposta da Águas de Camboriú fosse aprovada hoje pela Prefeitura de Camboriú, a operação da estação de tratamento começaria daqui dois anos e o tempo estimado para que toda a cidade esteja ligada à rede de esgoto é de 10 anos.




O que diz a Diretoria de Recursos Hídricos do Estado 

"Assumi a diretoria há dois meses e já estou ciente do problema. Já estamos fazendo tratativas com a Emasa para que sejam apresentadas alternativas para sanar o problema da falta de água, respeitando o critério de outorga e também cumprindo as condicionantes da outorga (autorização para captação de água no Rio). A SDE é o órgão gestor da política estadual de recursos hídricos, nossa missão é outorgar os usos e auxiliar na gestão dos conflitos. Estamos em tratativas com a Emasa para resolver esse problema".

Jaqueline Isabel de Souza, Diretora de Recursos Hídricos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Santa Catarina




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