Salão do Gustavo: 68 anos de muitos carnavais

03 Março 2019 11:36:00

Muitos risos, alegria, música e diversão no carnaval mais tradicional de Camboriú

por Luiz Antonio Tecau

Anos 50: o começo da tradição

O ano era 1950. Naquele ano, o Brasil perdeu a Copa do Mundo,em casa, para o Uruguai. A televisão era implantada no Brasil, através da TV Tupi, que transmitiu um documentário sobre Getúlio Vargas.Pedro Saut Jr estava no comando da prefeitura municipal de Camboriú. No interior do município, um jovem que acabava de servir ao Exército constrói, na localidade do Braço um salão que entraria para a história de Camboriú: o Salão do Gustavo.


Acervo família Simas/Gustavo Simas em seu cavalo, em frente ao antigo salão de madeira.

Quem conta um pouco dessa história é Amaro Simas, filho de Gustavo. A família Simas mora ao lado do Salão, onde recebeu o Linha Popular para recordar alguns momentos marcantes dos 68 anos do salão de baile. No começo, o salão também era a morada dos Simas. Umas construção simples de madeira, que reunia muita gente nos concorridos bailes e domingueiras. Amaro conta que os bailes eram movimentados: "sempre foi forte, no começo era só o pessoal do Braço, mas a população era muito maior do que hoje", recorda.

Lampião de querosene

A energia elétrica só chegou ao interior de Camboriú em 1977. Durante 27 anos, os bailes no Salão do Gustavo eram iluminados por lampiões de querosene e os grupos musicais se apresentavam apenas com instrumentos acústicos, como acordeon e violão e de percussão, como bateria e pandeiro. "O cara tinha que ser bom de gogó para aguentar a cantoria", revela o empresário, que viu passar muitos músicos pelo palco do salão, muitos vindos de outros municípios e até de outros estados. Mas artistas de Camboriú também tiveram vez nos carnavais do Gustavo: Kido Som 4, Banda Saramanta, os irmãos Florimar e Valmir Testoni e vários outros embalaram as noites de folia e festa no interior de Camboriú. Sobre as músicas, Dudu conta que o forte são as tradicionais marchinhas, que embalam os carnavais há décadas. Mas também há espaço para outros ritmos: "sempre tem uns minutinhos pro pessoal dançar uma vanera, o povo gosta de música gaúcha. Até um rockzinho rola, tem pra todos os gostos, mas o forte e o que agita mesmo são as marchinhas, revela.


Acervo família Simas/Salão lotado e muita animação

Não tinha pra ninguém: carnaval era só no Gustavo

Vários salões de baile marcaram os carnavais de Camboriú: Salão Machado, Salão do João Coppi, do Orias, Bento Amandio, Cardeal, Clube Palmeiras. Mas nenhum deles jamais superou o sucesso do salão do Gustavo. Amaro lembra que Olávio Pereira era seu concorrente, e promoveu um baile de carnaval pertinho dali, no encruzo. "Só que o carnaval deles deu fraco e eles vieram pular no nosso salão", conta, divertindo-se com a lembrança

O salão antigo, de madeira, tinha metade da capacidade do atual, que suporta 526 pessoas. "Sempre lota", garante Paulo Roberto Simas, o Dudu, neto de Gustavo, que faz parte da equipe dos 15 integrantes que comandam a festa. "São 15, sem contar os seguranças, o brigadista e ambulância que fica a disposição, caso aconteça qualquer problema", explica Dudu.

Último desejo de Gustavo

Gustavo Simas faleceu em Curitiba, no dia 9 de janeiro de 1990. Um de seus últimos pedidos foi para que mantivessem a tradição. Em fevereiro daquele ano, o baile foi realizado, conforme o desejo de seu idealizador. Dudu revela que, financeiramente, o esforço não compensa. "Mas graças ao esforço de nossos patrocinadores, a gente consegue manter a tradição", garante, para a alegria de muitos foliões camboriuenses


Linha Popular/Paulo Roberto Simas (Dudu), Alessandra Simas, Tiago Rafael Simas, Benta Dalago Simas e Amaro Simas, a família que mantém a tradição do Carnaval do Gustavo.






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