AME CAMBORIÚ

Uma Praça entre idas e vindas

13 Abril 2018 12:40:00

Praça dos Expedicionários reúne moradores do interior, homenageia combatentes e é ponto de referência

Kássia Salles


Kássia Salles/LP/

É desde 1993 que a praça localizada entre as ruas José Francisco Bernardes e Maurício Garcia se chama Praça dos Expedicionários, mas só em 2016 o monumento em homenagem aos camboriuenses que participaram da Segunda Guerra Mundial foi construído. Até então, existia ali uma prensa de farinha, comum nos antigos engenhos no interior da cidade.  

O Monumento da Força Expedicionária Brasileira (FEB) homenageia os 19 combatentes camboriuenses da guerra. O local é monitorado pelo Exército Brasileiro e cita o lema da FEB "a cobra vai fumar".

Anexo à praça está a Feira Permanente da Indústria Caseira Rural, ali semanalmente as agricultoras de Camboriú vendem pães, doces e outros produtos produzidos por elas. Para quem segue a pé sentido Centro chega, logo depois, ao ponto de táxi. O espaço é tomado por árvores, que fazem sombra para os carros estacionados ali. As folhas forram o chão de pedras e as árvores deixam o lugar fresco mesmo quando o sol está a pino. À noite, a praça ganha nova iluminação com lâmpadas brancas.

Um pouco mais em frente, como uma extensão da praça está o ponto de ônibus que liga o Centro ao interior. É referência: estrategicamente construído no centro da cidade, a estrutura de tijolos alaranjados aparentes é inconfundível. Combina com a feira permanente, também. É dali que partem os ônibus azuis do Camboriú Transporte e Turismo, que três vezes por dia saem em direção às localidades do Braço e dos Macacos.

O fim da tarde se aproxima e é aí que os bancos do ponto de ônibus vão se. Já cansados, muita vezes, os moradores assistem atentos ao trânsito intenso de veículos em pleno horário de pico. Eles esperam ansiosamente pelo transporte que os levará até em casa, na área rural de Camboriú.

Aos 63 anos, Dilma da Silva Corrêa é uma das passageiras frequentes. Ela mora no Braço e desce com o ônibus ao meio-dia, geralmente para fazer exames, passear e fazer compras. É a neta, Mel, de 12 anos, quem a acompanha. Ela adora sair com a avó: ganha lanches, presentes e pode fazer algo diferente depois da escola.

Dona Dilma já mora lá há uns 15 anos e, apesar de gostar de onde vive, concorda que ter que pegar o ônibus sempre que precisa de algo que não encontra no próprio quintal ou na venda perto de sua casa não é uma das tarefas mais agradáveis.

- A gente aproveita para visitar as amigas, os parentes, enquanto espera - comenta com um sorriso simpático no rosto.

O primeiro ônibus chega às 17h50. A maioria dos passageiros sobe neste, que ainda vai pegar mais pessoas até sair do asfalto e começar o trajeto nos paralelepípedos e, depois, na estrada de chão. Dona Dilma rapidamente recolhe as sacolas com a ajuda da neta, saca o documento de identidade da bolsa preta e se despede, subindo para o ônibus pela porta traseira.

Os bancos se esvaziam rapidamente com a partida do primeiro ônibus. Sobra só Eneri Domingos, que tem que esperar pelo segundo veículo porque mora nos Macacos. Com 78 anos, a tarefa que ele vem fazer no Centro é semanal e tem local marcado: em outra praça, bem pertinho desta - a das Figueiras, ele se senta para jogar dominó com os amigos.

A viagem para casa dura cerca de meia hora. São 12 quilômetros até sua casa. Ele afirma que faz isso para se divertir: vir jogar dominó, "ver gente", comprar o que é preciso e, depois, voltar para casa com o corpo já cansado. Ele sempre pega o ônibus ali e está acostumado a ser o primeiro a embarcar. O motorista já o conhece tão bem que nem precisa ver a identidade para saber de quem se trata.

Outra passageira é Vitória Moreira Garcia. Ela tem 16 anos e está no último ano do ensino médio. Frequenta o Instituto Federal Catarinense, o antigo Colégio Agrícola. Estuda integrado ao ensino regular, o curso técnico de Controle Ambiental. Ela até poderia pegar o ônibus escolar oferecido pela prefeitura, mas o horário de sua aula não bate com as das escolas municipais e estaduais que terminam às 17h15. Enquanto, as suas encerram às 17h45. Por sorte ainda, ela consegue chegar ao ponto a tempo de embarcar no CTT.

O comércio se instaurou ao redor da praça lentamente: lojas de roupas, farmácias e, mais recentemente o primeiro camelódromo da cidade. O trânsito em volta também é intenso, especialmente perto das 18h. Os ônibus partem antes do sol se por, e pela manhã antes do sol nascer, às 6h.

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