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'Por esse meu carisma eu achei que ia ganhar as eleições'

Edson Olegário, o Edinho, ex-prefeito de Camboriú, recebeu a reportagem do Linha Popular e falou sobre sua vida. os fatos mais importantes estão relacionados à política. Falou também de sua relação com a atual prefeita, de sua passagem pela prisão e dos planos para o futuro

(publicado originalmente na edição 253, de 31 de janeiro de 2014)

Na campanha eleitoral de 2004, um carro de som passava pelas ruas de Camboriú anunciando que o galo vinha aí. O sonoro cacarejar pedia que a cidade acordasse e ficou marcado como a campanha de Edson Olegário, o Edinho, em busca da Prefeitura. Edinho se elegeu e ficou com o apelido. A ave virou símbolo de sua trajetória política.     

Em seu escritório, um quadro em que um imponente galo está retratado ocupa lugar de destaque. Foi neste local que ele recebeu a reportagem do Linha Popular nesta semana para contar a história de sua vida.

Edinho nasceu e foi criado em Camboriú. Filho de Anacleta e Nélio, cresceu na fábrica de balas de banana do pai. Estudou pouco e começou a tocar seus próprios negócios quando abriu um ano um tempo, a lavação. Foi através deste trabalho que recebeu incentivo para começar a investir na construção, área que atua ainda hoje, aos 50 anos de idade.  

Em 2004, em sua primeira empreitada política, Edinho foi eleito prefeito de Camboriú. Foi impedido de se reeleger porque estava em dívida com a Justiça Eleitoral. Colocou a atual prefeita Luzia Coppi Mathias como candidata a prefeita em seu lugar. Depois disso, sua trajetória foi marcada por outros graves problemas. Edinho chegou a ficar cinco meses preso, acusado de ser mandante de um homicídio - processo pelo qual ainda responde.

Saiu da prisão, mudou de partido e em 2012, se arriscou novamente na política. Perdeu a eleição para prefeito e hoje diz que se arrepende da tentativa. Não descarta, porém, novas eleições. Mas, no momento, quer cuidar dos negócios, curtir a família e espera com ansiedade a primeira neta.

Essa é a versão resumida da história do ex-prefeito. Contada por ele, ela tem toques de humor e de drama. Edinho é um homem de personalidade forte, que se emociona em alguns momentos e solta altas gargalhadas em outros.

Fala pouco de sua infância. Lembra que os avós tinham olaria e que cresceu entre os tijolos e a fábrica de balas de banana do pai. Teve pouco estudo. "Fui muito mal nas aulas. Fiquei no 1º, veio aquela lei que não podia mais reprovar; fui para o 2º, 3º, 4º e aí caiu essa lei. Daí eu não conseguia mais passar. Se essa lei nao cai, eu era doutor", diz, gargalhando.

Edinho cresceu na região central da cidade e só se afastou do município por um curto período, quando o pai montou a fábrica no Paraná. Retornou em seguida e passou a tocar seus próprios negócios.

"Montei uma lavação na saída do Colégio Agrícola. Fiquei uma boa parte da minha vida ali", conta. Foi através deste trabalho que surgiu a oportunidade de investir na construção civil. "Eu ia nessas cerâmicas e lavava os caminhões. Em vez de me pagarem em dinheiro, eles me davam em material de construção. E eu peguei isso e comecei a construir", explica. "Foi meio por acaso, mas sempre querendo crescer", completa.

Ele começou a atuar na área aos 20 anos de idade. Hoje, 30 anos depois, continua a investir. O projeto em andamento é um prédio no centro de Camboriú. O filho mais velho, Fabiano, o auxilia nos negócios.

Além dele, Edinho é pai de Marcelo - ambos do primeiro casamento - e Gustavo, de quase quatro anos, fruto de seu segundo casamento, com Pâmela, Atualmente, divide o tempo entre os filhos, os negócios e o lazer. Tem passado muito tempo na casa de praia, em Zimbros. "O Fabiano e o Marcelo eu nao curti. Era 'pobrão', saía cedo para o trabalho. Agora tem o Gustavo, é um menino que tenho curtido bastante. Ele me abraça, diz que me ama", conta Edinho.

Atualmente, o ex-prefeito parece realizado. E quase sem alterar o tom de voz fala dos momentos difíceis. Eles iniciaram já quando assumiu a prefeitura. "Foi um desafio. Peguei tudo sucateado, sem máquina, caminhão sem motor", recorda. "Mas o povo viu, os empresários viram e começaram a ajudar", afirma.

Edinho destaca o apoio de Gilberto Laffitte, falecido no ano passado, e se emociona ao falar do amigo. "Na época nosso saudoso Gilberto Laffitte também me ajudou muito,e eu ajudei ele, abri as portas da prefeitura para a G. Laffitte", explica. Ele fala do que fez pela cidade e lamenta não ter podido dar continuidade. Entra, sem pestanejar, em uma questão delicada: sua relação com a prefeita Luzia.

"Essa última eleição, analisando hoje, eu não devia ter ido" 

"Fui à reeleição, mas infelizmente a Justiça me cortou porque eu não votei naquele plebiscito do desarmamento. Coloquei a Luzia, que era minha assessora. Ela já tinha sido candidata, tinha vontade de ser prefeita e eu dei meu voto de confiança a ela", diz. Edinho diz que ela e Luzia tinham um acordo: ela seria prefeita e nas eleições seguintes, ele voltaria a ser candidato, com o apoio dela, o que não ocorreu. "Por causa de R$2,80 deu essa zebra comigo, R$2,80. E a gente vê tanta sacanagem por aí", lamenta.

"Foi um pouco difícil para mim e hoje ainda está sendo porque eu realizei o sonho de uma pessoa, eu tinha um acordo com ela, mas não respeitaram esse acordo. Sem entrar em detalhes sobre como está a relação atualmente, ele diz: "Hoje eu rezo muito a Deus para orientar ela. O que importa é que Camboriú vá pra frente".

Com o rompimento, Edinho saiu do PSDB e foi para o PDT, partido pelo qual concorreu às eleições de 2012. "Essa última eleição, analisando hoje, eu não devia ter ido. Porque disputar contra a máquina não é fácil, avalia.

Além do desgaste do rompimento com Luzia, Edinho ainda enfrentou uma acusação por homicídio nesse meio tempo. Ficou preso cinco meses pela morte de Eneri Antônio de Souza, ocorrida em 2008, e ainda responde pelo processo. "A prisão foi uma passagem difícil, principalmente pela família. Foi uma experiência dolorida", afirma. E relata como foi o período dentro do presídio. "Eu fiquei em uma regalia, pintei, pintei onde nós estávamos, coloquei piso, dei uma atenção legal lá. Quando eu saí vi pessoas que trabalham lá chorando", conta.

Para ele, a prisão "é uma mancha que fica". No entanto, não atribui a este fato a derrota nas eleições. Mesmo com todos os problemas, não esperava a derrota. "Por esse meu carisma que eu achei que ia ganhar as eleições".

Mas as pretensões políticas de Edinho não terminam por aí. "Talvez eu coloque meu nome à disposição do PDT nestas eleições, mas eu tenho muita vontade de administrar Camboriú mais uma vez, diz o ex-prefeito. Não sabe quando nem garante o que vai ocorrer. Pelo contrário, desvia do assunto.

"Agora eu vou curtir minha neta", diz, gargalhando. "Meu filho mais velho, Fabiano, vai casar. Vai vir minha primeira netinha, a Lara. Vou ser um 'vozão', quero curtir. Agora acho que vou ser muito xereta da neta", ele afirma.

Diz que hoje está "mais malandrão" no trabalho e garante que já conquistou muito mais do que queria. "Nos meus 20, 30 anos, eu sempre tive sonhos: ter um casamento, uma casa legal pra morar, um carro, uma casa de praia. Aos 50, eu já conquistei essas coisas. Estou bem materialmente, consegui o que queria. O que eu peço e oro é que Deus ilumine minha família, meus filhos". E que guie seus caminhos também, tanto na política quanto fora dela.




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