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ODONTO, SAÚDE E BELEZA

com


Cintia Helena

Sim, eu tenho medo de dentista!




Foto: Flickr



     Um tema de extrema importância e interesse da maioria das pessoas merece um destaque entre os textos que costumo escrever. Há duas edições atrás falei sobre o medo que muitas pessoas têm da consulta nos consultórios odontológicos. 

     A fobia é um medo intenso e irracional, odontofobia é o nome dado às pessoas com medo de dentista. Frequentemente essas pessoas deixam de lado por anos, às vezes até décadas, a sua rotina de cuidados com os dentes e a boca. Para evitar isso, acabam convivendo com doenças periodontais, dor e até dentes quebrados ou com aparência ruim. É muito importante que o profissional saiba identificar e lidar com este tipo de situação que em geral está presente na rotina diária dos profissionais da odontologia. 

     Nesta edição decidi contar para vocês as minhas experiências  com estas situações odontofóbicas em meu dia a dia no consultório e também o motivo pelo qual sempre consigo entender meus pacientes. 

     A primeira experiência que uma pessoa tem, ou seja o primeiro contato com o dentista que um indivíduo tem na vida irá determinar como esta pessoa vai responder no decorrer da vida com as visitas ao dentista, por isso é fundamental que os pais fiquem atentos ao profissional que irá buscar para tratar seus filhos pela primeira vez. Minha mãe sempre teve o cuidado de me levar em um Odontopediatra e eu sempre fui bem receptiva aos tratamentos, porém como eu sempre fui muito branquinha ela me levava muito ao laboratório para fazer exames de sangue, essa atitude me trouxe uma fobia de agulhas, sim muito medo de agulhas. De certa forma a minha fobia de agulhas fez com que eu entendesse muitos medos dos meus pacientes.

     Há alguns anos atrás recebi em meu consultório uma menina de uns 6 anos de idade para uma avaliação, percebi que aquela criança chorava descontroladamente, fiquei em estado de alerta observando todo o contexto da situação, ela dizia gritando “não corte a minha cabeça, não corte a minha cabeça” ,  a mãe da criança me falou que levou ela ao consultório porque a menina havia cortado a franja com a tesoura e a mãe ficou tão brava que falou que iria levá-la ao dentista e no caso eu iria cortar a cabeça dela. Vocês conseguem imaginar o trauma que está mãe causou nesta criança? Naquele momento quem ficou louca pra cortar a cabeça foi eu, mas daquela mãe imprudente que com certeza causou um trauma que aquela menina irá levar pra sempre. Na minha vida profissional tenho várias histórias pra contar e vou mesclar aqui algumas. Uma paciente de seus sessenta e poucos anos me procurou por indicação de alguém que sofria de Odontofobia e conseguiu finalizar o tratamento, ela foi ao meu consultório e todas as vezes que eu precisava anestesiar ela pedia para levantar,  dar uma volta na loja de roupas ao lado do consultório para comprar alguma coisa e daí voltava, conversava, e depois de distrair-se com as besteiras que eu falava conseguia deixar eu anestesiar. Como eu também tenho muito medo de agulhas eu entendia o medo dela e tentava fazer com que ela soubesse da minha empatia para com o que ela sentia, desta forma  consegui finalizar aquele tratamento com sucesso. 

     Como eu também tenho muito medo de agulhas vou contar para vocês a minha experiência com o dentista, sim,  eu também sofro desse medo incontrolado! Por ter esse medo de agulhas eu fui arrumar meu dente sozinha olhando no espelho, e daí vocês conseguem imaginar o que aconteceu? Eu sozinha tentando arrumar meu dente olhando no espelho fiz uma “caca” e acabei tendo que buscar um profissional, como na época eu não conhecia nenhum profissional na cidade em que morava pedi várias indicações e então criei coragem e fui. Quando cheguei, às sete horas da manhã ao consultório dele fui recebida com um aperto de mão, “prazer doutora, Em breve irei lhe atender” disse o doutor para mim. Quando olhei em sua mão ele possuía apenas dois dedos, engoli a saliva que já não existia mais na minha boca e pensei: - como esse cara vai me anestesiar, que loucura, o que eu vim fazer aqui, quero ir embora, vou tentar arrumar meu dente sozinha... um turbilhão de pensamentos odontofóbicos começou a vir em minha mente. Entrei no consultório crendo que ele era canhoto, mas, ele não era canhoto! Resultado o dentista havia perdido os dedos em uma serraria assim que se formou e tinha uma habilidade absurda para segurar todos os instrumentais com o polegar e o dedo mínimo, e eu peguei uma confiança tão grande nele,  a sua habilidade  era tanta que superou minha expectativa, e até hoje ele é meu dentista preferido!

     Busquem profissionais habilitados e experientes,  assim vocês com certeza conseguirão ter sucesso e vencer o medo!

     Ah! Sobre o meu medo de agulhas, hoje já consigo lidar muito bem com elas, afinal de contas a harmonização facial nos deixa tão bem que eu até suporto umas agulhadinhas em favor da beleza!  

Sobre Cintia Helena

Dentista


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Confira as novidades que a odontologia pode fazer para melhorar sua saúde bucal e aliar tudo isso com a beleza das harmonizações faciais. Por Cíntia Helena.


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