ENTRETENIMENTO

​Dia do Escritor: a arte de informar e entreter
Escritores de Camboriú contam suas técnicas de escrita e os desafios da profissão




era no dia do lançamento do seu livro Pérolas Negras. / Foto: Arquivo Pessoal

Da narração de fatos do cotidiano às maiores fantasias que a imaginação consegue gerar. O escritor informa, cativa, entretém e diverte. O dia 25 de julho marca o dia dessa profissão que produz histórias através de diferentes narrativas, gêneros e inclusive, maneiras de escrever. Cada escritor tem a sua forma, técnica e processo na produção de uma história. Em Camboriú, há vários escritores renomados de múltiplos gêneros. 

     Aos 28 anos, Vera Maria Roberto publicou seu primeiro artigo em um jornal, após o falecimento de um senhor que ela conhecia. A escrita veio como uma estratégia para transmitir os seus pensamentos, conceitos e fatos que ela observava na sociedade. Por isso, sempre foi muito ligada às Crônicas, por se tratar de um tipo de narrativa curta, e trazer acontecimentos cotidianos. Nesse gênero, encontrou narrativas escritas por Clarice Lispector, Rubem Alves, Içami Tiba, Luis Fernando Veríssismo, Ariano Suassuna, Michael Sandel, dentre outros que a inspiram até hoje. “Gosto muito de histórias!”, comenta entusiasmada. 

O gosto pela leitura sempre a acompanhou. O pai assinava a revista Seleções e o Diário do Grande ABC e deixava à disposição dos filhos. Quando ficou mais velha, passou a escrever para revistas e jornais, e após se mudar para Camboriú começou a desenvolver atividade na Fundação Cultural de Camboriú, e veio o convite da Revista Camboriú, onde foi escritora da coluna “Camboriú é Cultura”. Em todas as suas obras, Vera busca trazer uma linguagem simples, atraente e de fácil compreensão, como em Pérolas Negras, livro lançado em português em 2012, e em espanhol em Cuba em 2013, onde fala de mulheres.

Leonardo Teixeira também começou a escrever cedo, aos 15 anos. Alguns de seus amigos já se arriscavam a escrever, o que o incentivou a dar os seus primeiros passos como escritor, e logo a publicar em um blog. O seu gosto pela leitura também foi um incentivo, principalmente literatura fantástica e histórica, como cenas de batalha ou de cenários distópicos e surreais, sendo suas maiores inspirações Tolkien, R. R. Martin, Bernand Cornwell, Leonel Caldela, Neil Gaiman e Conn Iggulden. Na poesia, outro estilo que o atraiu muito, tem como inspiração Leminski, Mario Quintana e Adélia Prado.

“Sempre adorei ler e gostava de contar histórias e descrever cenas aos amigos. Porém, algum tempo depois parei e só voltei a escrever perto dos 20 anos.”, conta. Quando voltou, iniciou sua trajetória literária. Em 2015, publicou dois contos em uma antologia independente “Luxúria e Pudor: entre o céu e o inferno (Clube dos autores), que conta com a participação de outros 7 autores. Em 2019, publicou, de maneira independente, o livro de poesias “Os Seres Espectrais Nascidos da Tormenta”, que está disponível em e-book na Amazon. E no mesmo ano eu lançou, pelo Editora Ipê Amarelo, o livro de poesias “Liberdade Cativeiro”. “Esse livro recebeu uma atenção toda especial e tem me dado muito orgulho. Ainda tenho um projeto de um livro de contos e outro de romance.”, conta.


A rotina de escrita muda a depender do escritor e sua inspiração. Vera, muito observadora, gosta de estar atenta ao que se passa em sua volta. Ao circular por diversos meios sociais, a inspiração para a escrita aparece. Nem tudo que escreve é para publicação, por vezes é apenas para entender o motivo de um determinado comportamento. “Escrevo diariamente, pois as atuais mídias nos possibilitam tais exercícios. Para mim, escrever é um exercício, “se parar enferruja”, ou seja, cai no desuso”, explica a autora. 

“Vai muito do tesão no que estou escrevendo”, diz Leonardo a respeito de sua rotina de escrita, que ele afirma não ser estabelecida. Às vezes, passa dias sem escrever, às vezes semanas. De repente as coisas brotam na mente e apenas precisa colocar no papel. A técnica utilizada para compor os seus textos é a imaginação, e escrever sempre de uma perspectiva diferente. Além disso, manda para outros escritores avaliarem e criticarem, e assim, construir uma experiência diferente do comum. 

Com os anos de experiência, Vera percebeu algumas formas diferentes de melhorar os seus textos.“É importante começar sem medo de expor suas idéias, procurar ler os seus textos como se fossem outras pessoas com aquela pergunta: “Será que é isso que eu quero transmitir?”. E ler muito, mas ler muito mesmo (qualquer papel que chegue às mãos), pois um bom leitor será um bom escritor”, ressalta a autora. 

Após escrever, o autor passa por algumas dificuldades no mundo literário, desde o encontro com uma editora até o lançamento de um livro. “Aquele escritor tradicional que lança livro impresso, passa por dificuldades como encontrar uma editora que queira lançá-lo no mercado, um espaço adequado para o lançamento, reunir pessoas que tem interesse em livros impressos, e etc. Por outro lado, os escritores que têm se utilizado das mídias atuais, suponho que sejam mais lidos, porém se um deles escrever um texto muito extenso corre o risco, de seus leitores não chegarem até final do artigo.”, explica Vera. Quanto a Leonardo, ele explica que tem uma frase que carrega consigo e que explica bem a maior dificuldade na profissão: “um escritor só é um escritor quando tem leitores”, ou seja a maior dificuldade hoje é encontrar um bom nicho, leitores ávidos e entusiastas pela obra. “Nesse sentido, você fica dividido entre o que é comercial e aquilo que de fato lhe dá prazer em escrever”, diz Leonardo.

O Mercado Literário Brasileiro enfrenta algumas crises no momento, com a diminuição da venda de livros, editoras e livrarias começaram a fechar, o que dificulta ainda mais para quem escreve publicar alguma de suas obras. De maneira geral, como escritor Leonardo também percebe que há muito do mesmo nas grandes editoras e uma preferência gritante por autores estrangeiros. Mas o mercado editorial independente têm se mostrado uma boa alternativa para quem quer publicar seu primeiro livro e receber uma atenção editorial mais carinhosa. Nesse contexto, Vera faz uma análise do mercado ao regionalizar a valorização dos autores aqui mesmo em Camboriú: “Camboriú completou este ano 136 anos de emancipação político administrativa, e durante todo esse período pessoas escreveram e pessoas leram; porém somente quando foi criada da Fundação Cultural de Camboriú (2013) é que se pensou, de alguma maneira, homenagear as escritoras e escritores do Município, instituindo leis que implantaram a Semana Municipal do Livro e a Semana do Escritor Camboriuense. Trata-se de um reconhecimento? Sim! Mas a sociedade camboriuense tem lido os autores natos ou que optaram por viver em Camboriú? Eles e suas obras são conhecidos e reconhecidos? Que dirá em nível nacional! Deixo esta reflexão, para não nos distanciamos muito do nosso cotidiano”, indaga. 

 


 
 




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