MEIO AMBIENTE

Relatório aponta 5 tipos de agrotóxicos na água do Rio Camboriú
O pesticida Carbofurano, proibido desde 2017, foi encontrado na Estação de Tratamento de Água da Emasa




Foto: Aresc

O Programa de Monitoramento da Qualidade Hídrica da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú, um projeto desenvolvido pela Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (ARESC), em parceria com a Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Balneário Camboriú (EMASA) e a Fundação Municipal do Meio Ambiente (FUCAM), emitiu um relatório que revelaa a existência de agrotóxicos na água captada no rio Camboriú pela Emasa. 

O relatório teve como base uma avaliação, realizada entre agosto de 2019 e março de 2020. A ação teve o apoio do 4º Pelotão de Polícia Militar Ambiental, que acompanhou o desenvolvimento da iniciativa juntamente com demais órgãos de interesse da Bacia. 

O objetivo do programa foi avaliar alguns princípios ativos de agrotóxicos presentes na água do manancial de abastecimento público. Para isso, ações quinzenais deram origem às coletas e análises de água bruta em quatro pontos da Bacia do Rio Camboriú e coletas e análises de água tratada da saída da Estação de Tratamento de Água (ETA) da Emasa. Durante todo período, o programa totalizou 71 coletas de amostras e análises laboratoriais de parâmetros físicos, químicos e biológicos.

Durante o período, constatou-se a presença de cinco agrotóxicos no rio, entre eles, apenas dois monitorados e quantificados em valores abaixo do limite máximo permitido pela resolução do CONAMA 357/2005 e Portaria de Consolidação nº 05/2017; e os demais agrotóxicos não são regulamentados pelas legislações vigentes.

Já na Estação de Tratamento de Água foi detectado em apenas uma única coleta, um único agrotóxico, o pesticida Carbofurano, que tem seu uso proibido no Brasil desde outubro de 2017. No entanto, em uma quantidade 44 vezes abaixo do que o limite máximo determinado pela Portaria de Consolidação n°5/2017 do Ministério da Saúde.

Deste modo, o relatório destaca a necessidade da continuidade e aperfeiçoamento nos trabalhos de monitoramento, sugerindo também, a inclusão de demais órgãos de interesse local e estadual.

No que diz respeito ao município de Camboriú, a execução deste monitoramento e os resultados obtidos são de extrema importância para verificar os impactos causados pela atividade agrícola, afirma a Presidente da FUCAM, Liara Rotta Padilha. "Pelo fato da cidade ser reconhecida por essa característica, os dados obtidos são significativos para a melhoria da fiscalização e do futuro reparo na qualidade hídrica da Bacia", salienta.

A Gerente de Fiscalização de Saneamento Básico da Aresc, Luiza Burgardt explica que o prosseguimento desta ação é uma forma de zelar pela saúde pública da população de Camboriú e Balneário Camboriú, uma vez que o rio abastece ambos os municípios. “Porém, sabemos que o desafio é grande. Esse monitoramento trouxe um diagnóstico da atual condição do manancial, mas ainda há muito trabalho a ser realizado pelos órgãos competentes para que esses poluentes não cheguem ao usuário final, visto que a ETA é a última barreira para contenção. Precisamos de uma ação interinstitucional na bacia hidrográfica como um todo visando segurança hídrica e garantindo qualidade no abastecimento público. Portanto, ele pode auxiliar para a tomada de decisão”, enfatiza.

A Analista Química da Emasa de Balneário Camboriú, Joanna Ferreira Godinho acrescenta que como consequência desse monitoramento, foi obtido um histórico mais preciso e de maior período sobre a atual situação do Rio Camboriú e suas interferências na água que chega até a Estação de Tratamento – o que não é detectável/quantificável na água, e o que o sistema convencional não consegue remover. “Inclusive, com esses dados, conseguiremos buscar uma avaliação mais detalhada e que justifique a necessidade ou não, de investimentos para tratar essa problemática, caso essa alternativa seja a indicada”, justifica.

“Pensar na qualidade da água que utilizamos no nosso dia a dia é pensar na qualidade de nossos recursos hídricos. Se quisermos ter uma água livre de produtos químicos, é preciso que a sociedade e o poder público propiciem o uso sustentável das Bacias hidrográficas do Estado”, finaliza a Bióloga da Aresc, Larissa Martins, que coordenou o Programa de Monitoramento da Qualidade Hídrica da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú.




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